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Mudanças no cruzamento Marquês-Ottokar são debatidas em Urbanismo

Por Sidney Azevedo.

Alterações de tráfego na região do cruzamento entre as vias Marquês de Olinda e Ottokar Doerffel foram debatidas em reunião extraordinária da Comissão de Urbanismo nesta segunda-feira (23). A proposta elaborada pela Secretaria de Planejamento Urbano (Sepud) inclui mudanças na direção de mãos de ruas e a integração da rua Marajó, hoje via secundária, no sistema de deslocamento da área.

Na reunião, os vereadores mediaram o debate entre moradores da região, vindos em grupo de dez, a maioria aposentados, e os representantes da Prefeitura, vindos da Sepud, da Secretaria de Proteção Civil (Seprot), do Departamento Municipal de Trânsito (Detrans) e da Companhia Águas de Joinville (CAJ).

A pretensão da Sepud é desafogar engarrafamentos da região. Técnicos da Secretaria afirmam que a mudança pode reduzir em quase meia hora trajetos do Centro para a BR-101 em horário de pico com a alteração.

Os moradores da Marajó, por sua vez, questionaram a alteração porque na visão deles a rua é incapaz de comportar o tráfego que ela pode receber com a mudança. A principal preocupação deles é com o tráfego dos ônibus vindos da rodoviária que deverão subir a Marajó e descer a Marquês antes de voltarem à BR-101.

Presente na reunião, o secretário de Planejamento Urbano, Danilo Conti, afirmou que “ainda não há data para a implantação da mudança” porque ela depende de definição da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) para execução da sinalização. Por esse mesmo motivo, explicou Conti, a mudança ainda não tinha sido anunciada para a imprensa, embora uma reunião já tivesse sido realizada no final de março com moradores para explicar a mudança, à qual poucos compareceram.

Rafael Oliveira, resumindo as reivindicações dos moradores presentes em ofício que foi encaminhado à Sepud no dia 19, pediu que o projeto priorizasse os moradores e pediu resposta sobre melhorias de infraestrutura da via. Entre essas melhorias, Oliveira solicitou reforço no asfalto (a via foi pavimentada em 1997), a construção de calçadas, e a implantação de redutores de velocidade como meio de segurança.

Conti disse que a inclusão da rua Marajó na lista de vias principais facilitaria a obtenção de recursos pela Prefeitura para recapeamento. Redutores como tachões já estariam previstos no projeto. Para as calçadas, o secretário disse que a solução é a notificação para confecção. Conti afirmou ainda que as observações dos moradores serão analisadas e aplicadas se apresentarem melhorias no projeto.

Rafael disse compreender a proposta da Sepud, mas expressou preocupação que a mudança surta efeito apenas no curto prazo. Ele frisou que o ideal seria um viaduto com a abertura de uma via expressa na Ottokar.

Ainda quanto à ideia de uma via expressa, o vereador Adilson Girardi (Solidariedade) observou que, embora parte da Ottokar próxima à rodovia federal esteja desapropriada para alargamento, ainda será necessário continuar com o processo de desapropriações. Maurício Peixer (PR) observou que há dificuldades para a desapropriação em razão da falta de dinheiro para esse tipo de ação.

Girardi propôs o tema para debate na Comissão, juntamente com a vereadora Tânia Larson (Solidariedade), que não pôde estar na reunião. Girardi pediu às autoridades presentes uma atenção especial para a implantação de redutores de velocidade na Marajó.

Também acompanharam a reunião os vereadores Jaime Evaristo (PSC, presidente da Comissão), Fabio Dalonso (PSD) Richard Harrison, Mauricinho Soares e Claudio Aragão (os três do PMDB), Pelé (PR), Ana Rita (Pros), Ninfo König (PSB), Natanael Jordão e Odir Nunes (ambos do PSDB).

Tecnologia

A proposta da Sepud surgiu de um planejamento que cruzou dados do aplicativo de tráfego Waze com dados próprios da Prefeitura e permitiu encontrar os principais locais de engarrafamento em Joinville por horário, conforme explicação da gerente de mobilidade da Sepud, Taline Rolim.

Esse estudo permitiu aos técnicos da Sepud formarem uma lista de prioridades a serem resolvidas. Tanto nos períodos de tarde e manhã o cruzamento da Marquês com a Ottokar figurou na chamada “zona crítica”. Pela manhã, por exemplo, a rua Helmut Fallgater figurava nessa situação. E pela noite, o estudo destacou, entre outras, a Tuiuti.

Taline explicou que, com a decisão tomada, os técnicos se dedicaram a encontrar formas de reduzir os engarrafamentos na região, usando de drones para a coleta de informações sobre o deslocamento de veículos no cruzamento e softwares de simulação de tráfego.

Rodoviária

Martin Bachtold, de 90 anos, mais conhecido como Martinho, morador da rua Marajó, levantou-se em certo ponto da reunião, com suas muletas, e foi até a tribuna para questionar se não havia como desviar os ônibus de passar pela via. Ele pediu também que se evitasse de trazer os ônibus para trafegar em ruas secundárias. A nova volta, pelas ruas Marajó e Marquês, a que chamou de “polimento”, aumentaria o trajeto atual dos ônibus em aproximadamente 520m.

Texto: Jornalismo CVJ, por Sidney Azevedo / Fotos: Nilson Bastian

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